Arte

Peça de teatro questiona se é possível uma criança navegar pela cidade

Em São Paulo, o grupo de teatro Esparrama decidiu fazer do cimento o seu palco, e das fachadas de prédios e janelas o seu cenário. Apresentando aos domingos o seu novo espetáculo, Navegar, a trupe diverte adultos e crianças com bonecos gigantes de espuma e música ao vivo.

As brincadeiras, trapalhadas e visual colorido da peça misturam-se a assuntos sérios, como imaginação, território e segurança pública. Sobretudo, não se trata de ensinar para as crianças esses temas, mas de fazer os adultos aprenderem a ouvir as crianças.

“Vejam o tanto de janela que está fechada por aí”, diz um personagem durante a peça, convidando o público a olhar ao redor

Os primeiros 15 minutos da apresentação são reservados exclusivamente para as crianças subirem ao palco e falarem. O microfone, em altura reduzida, fica disponível para declamação de poesias, músicas, ou só para dar um oi.

Dentre outra crianças, subiu ao palco uma menina de 4 anos. Quando uma atriz perguntou o que ela mais gostava na cidade, a resposta foi: “a floresta”. Quantas vezes são os pequenos que têm a oportunidade de terem suas vozes e suas vontades ampliadas?

Esse foi o norte da produção da peça: ouvir as crianças. Toda a construção da narrativa partiu de uma pesquisa e de um processo de escuta de crianças de diferentes regiões da cidade. O grupo tentou descobrir como os pequenos imaginam, sentem e vivem a cidade, para tentar responder se é possível uma criança navegar em meio urbano nos dias de hoje.

Crédito: Sissy Eiko

Para além da arte, ou justamente por causa dela, a peça é também uma intervenção e um manifesto pela ocupação do espaço público, tanto na narrativa dos problemas que os personagens enfrentam, quanto na forma: ocupando o Minhocão, um viaduto paulistano cuja construção e existência são envoltas em polêmicas. Por causa da pouca distância entre a via e as janelas dos apartamentos do entorno, os moradores sofrem com o barulho, poluição e pouca privacidade.

Aos domingos, contudo, o cenário ganha vida. O viaduto abre para a população e se transforma em um comprido parque de concreto — e agora também em teatro. O espetáculo conversa e convive, ainda, com ciclistas, pedestres, cachorros e ambulantes, em um exercício de coexistência cidadã.

Serviço

Todos os domingos, até 25 de março, em dois horários: 10h30 e 16h.

Gratuito, com duração de 50 minutos.

No Minhocão (Elevado Presidente João Goulart), altura do número 158 da rua Amaral Gurgel. No caso de chuva, o espetáculo não acontece.

Categorias:Arte, Lugares

Marcado como:,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s