Arte

Confissões: a mistura do vinho na corrente sanguínea

Assim eu mostro a  relação íntima comigo mesma. Está quase tudo aí – ou basicamente está, lembrando que o ‘quase’ carrega tudo o que está perto de dizer por completo. Apenas sei que há explicitamente os meus prazeres que mantenho com a vida e outros implícitos que dou a disposição de descobrir. Estou na primeira taça, a primeira é para nos conhecermos melhor. Tudo que interage comigo está interagindo com o meu mundo e a minha disponibilidade em apresentar. A segunda taça beira os caminhos da intimidade, comoimg_3176 alguém já havia me dito uma vez. Passamos para a terceira, que me deixa assim, sendo honesta comigo mesma, não burlando os meus sentidos, sendo demasiadamente eu com outras de mim a cada gole. Deveras, seja essa minha inconstância em viver descomedidamente o meu corpo pedindo outro calor, outro sabor, outro êxtase. Ou talvez, seja o meu relacionamento sério com o toque de outrem, que precisa do meu toque para pôr em dias, todos os filmes da tragicomédia do existir humano, todos os álbuns favoritos, livros, palavras, sílabas, a fonética que tanto batemos cabeça passa entender o sentindo, todos os sabores, amargo ou doce, toda testosterona, células se debatendo, todo o planeta, até Plutão volta, todos os desejos em um sussurro dizendo: meus átomos estão afim dos teus átomos.

Categorias:Arte, Fotografia

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