Viagens

“É de poesia minha vida secreta…”

“Porque tu sabes que é de poesia minha vida secreta”, já dizia Hilda – habito uma doce clandestinidade. Vivo escondida, estancio nos mistérios, escondo minha beleza na aridez que tenta, em vão, desbotar meus encantos…finjo ceder, desapareço dos olhares, mas ressurjo enchendo os caminhos de versos inesquecíveis – sou perene na efemeridade de tudo que só existe para poetizar o instante.

Aprendi a viver sem tua presença, é melhor que não venhas, pois assim carrego a eterna esperança de que amanhã virá. Hiberno em tempos de ausência, minguada de tuas carícias, no estio que carece do teu canto. Sou poesia e só existo quando deságua ternura em mim.
Cebolinhas do sertão
A carência de tuas chegadas assola minh’alma, desapareço das miradas que não necessito, preparo aroma e corpo para me fazer desabrochar diante de ti. Quando seu cheiro invade meus vazios, surjo com a singeleza de quem se veste de encanto – miro o mundo, espalho cores na cinzenta melancolia desses caminhos tão desacostumados da alegria dos dias que rompem orvalhados do teu fascínio.

Apareço sem a timidez que me acompanha, dispo-me dos medos, visto-me da poesia que guardo em segredo. Floresço no finito tempo do encanto – me eternizo na memória da saudade de quem por um instante mirou minha breve e encantada existência.

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