Fotografia

“Uma foto, um texto”: Espiã

A foto:

 

O texto:

Espia, espichando o pensamento onde a visão míngua. 

Espia, endurecendo o desejo incauto dos meninos que esquecem a bola. 

Espia, espreguiçando a alma mal acondicionada no corpo santo. 

Espia, estremecendo o limite das terras marcadas por ideais de sangue. 

Espia, esticando o vão inelástico da  madeira tatuada de amores impossíveis. 

Espia, erguendo os pés e as sombras que se negam ao breu da imobilidade.  

Espia, extenuando a grama que nasceu pra ser podada embora queira a altivez dos arbustos, entregue a miudeza da servidão  invisível.

Espia, experimentando a curiosidade que apodreceu a vida do gato e da paz. 

Espia, escutando a represália dos submissos ao tempo, às memórias e aos psicólogos. 

Espia, emocionando o oposto que chora a atenção do que lhe foi negado só por ser. 

Espia, emudecendo passarinhos que temem a imprudência do brusco. 

Espia, evitando a liberdade do pulo e a vertigem do tudo. 

Espia,  enxergando entre frestas a imensidão e letargia do mundo entregue a passividade dos desesperançosos. 

Espia, eternamente detentora do segredo do que há do outro lado da cerca, do céu, das palavras, das definições, das conspirações, das metáforas, de nós. 

O que há? 

 

(Para participar é só seguir o perfil @umafotoumtexto e marcar a foto escolhida no perfil)

 

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