Literatura

As aspas que amamos

Citações, frases, máximas, parágrafos, seja intimamente ou com rabiscos e grifos, sempre separamos em nossas leituras alguns trechos que nos saltam aos olhos e ficam, de uma forma única, impregnados em nossas mentes. Algumas levamos por toda a vida, outras servem especialmente para aquele momento, mas todas são importantes quando as lemos, quando ganhamos voz através do outro. Abrir aspas é deixar o outro comunicar por você. Abrimos as nossas preferidas e a sua? Qual é?

Por Wal Bittencourt

Mia_Couto_croppedOs sonhos segundo Mia Couto

“Sonhar é um modo de mentir à vida, uma vingança contra um destino que é sempre tardio e pouco”, disse Mia Couto, no livro “Venenos de Deus remédios do Diabo”. Quando a realidade teima em atravancar nossas melhores fantasias, só nos resta enganar essa rotina que, quase sempre, conduz a desfechos tão distantes de toda poesia que levamos na alma… então, sonhamos. Buscamos na ilusão um alento contra o desencanto – sobrevivemos na utopia.

 

 

Por Ingrid Matuoka

A juventude segundo Franz Kafka

“Quem mantém a habilidade de ver beleza nunca envelhece”, disse Franz Kafka, aqui em tradução livre. A frase foi registrada por Gustav Janouch, seu discípulo, e publicada no livro Conversas com Kafka, em que Janouch conta alguns dos diálogos cotidianos que tinha com o mestre, tanto sobre religião, filosofia e literatura, quanto sobre assuntos muito íntimos. E, de fato, poder cultivar rugas e cabelos prateados sem regá-los de amarguras deve ser a coisa mais deliciosa.

 

Por Andreza Modesto

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O conhecimento segundo José J. Veiga

“A atividade que o ser humano menos gosta de exercer é pensar. Logo que ele se assenhoreia de uma pontinha mínima de qualquer conhecimento, já se dá por satisfeito”. Havia enumerado o pensamento de vários autores, todavia, o excerto mencionado anda me acompanhando nos últimos dias. O empréstimo desse pensamento, foi uma influência significativa e motivadora para aplicá-lo em diversas circunstâncias na minha vida. Entre elas, que na verdade se intensificou, foi quando eu passei a observar mais as ocorrências ao meu redor, isso envolveu não apenas aspectos de leituras, entretanto, no transcorrer da vida cotidiana mesmo. No relacionamento com a família e amigos, passei a ouvir, aprender mais. Na área do conhecimento tudo é válido, tudo é aprendizado, quando trocado então, se torna ainda mais prazeroso.

 

Por Fernanda Figueiredo

A literatura segundo Camilo, de Alejandro Zambra

“Nunca tive, em todo caso, esses devaneios racionais sobre a existência de Deus, talvez por depois ter começado a crer, de maneira ingênua, intensa e absoluta, na literatura.” Essa frase está no meio de uma das narrativas de Camilo, um personagem do livro “Meus Documentos”, de Alejandro Zambra. Depois que li, ela ficou dias e dias em mim. Acho que a gente só ama, seja aspas ou pessoas, o que fica. Os pensamentos de Camilo alteraram os meus. O que é a literatura para mim? Como pensei Deus até aqui? Como separar o racional do emocional? Como deixar a criança que existe em mim acreditar de forma ingênua no pensamento? Tal aspas provocou isso. Indico as palavras que vem antes e depois dela.

 

 

Por Fabi Mariano 

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A felicidade segundo Aldous Huxley

“A felicidade é uma soberana exigente, sobretudo a felicidade dos outros. Uma soberana muito mais exigente que a verdade quando não se está condicionado para aceitá-la sem restrições”. Eu sofri para fazer essa escolha, cheguei a escolher Valter Hugo Mãe – o autor que mais me faz rabiscar livros –  mas apaguei e me rendi ao Aldous Huxley no clássico “Admirável Mundo Novo”. Em tempos de discussões acaloradas sobre aceitar o outro, sobre liberdade, sobre arte e seus limites, o questionamento sobre aceitar a felicidade alheia independentemente da sua verdade particular é conveniente. Questionar-se sobre individualidade, religião, crenças, paz, estabilidade emocional e o que tudo isso complexamente envolve é mexer na quase intocável ferida da supervalorização da felicidade. É algo que fica na nossa mente por dias, semanas, quiçá, para sempre.

 

Por Thaís Albiero

rubembraga3O momento segundo Rubem Braga

“No meio de muita aflição e tristeza houve um momento, lembras-te? Foi por acaso, foi de repente, foi roubado, e se alguém tivesse tido a mais leve suspeita então seria a ignomínia total. Mas houve um momento; e dentro desse momento houve silêncio e beleza.” Quando estamos passando por uma situação difícil e não conseguimos enxergar a solução é que o tal momento de Rubem Braga acontece; pelo menos foi como aconteceu comigo. Passei por muito em 2017 e essas aspas nunca significaram tanto; entendi o significado do “silêncio” no trecho: é a contemplação do momento em que estamos em paz, a inutilidade de compartilhar o instante com outro, é estar à vontade com a quietude, enfim…

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