Arte

Os sintomas de Castello Branco no seu novo álbum

ju sting

Arte por Ju Sting

Castelo vem do Latim castellum, “vila fortificada”; de castrum, “acampamento militar romano”. Em certa época, senhores locais ergueram fortalezas-moradas geralmente em posição de terreno com facilidade visual e de comunicação, e assim surgia o que hoje conhecemos como castelo.

Castello Branco vem de muitos lugares: do Núcleo de Serviço Crer-Sendo, do Rio, da banda R.Sigma, do mato, de São Paulo. Conhecido também como Lucas (seu primeiro nome) e batizado como Niska, cresceu sob os cuidados de quatro mulheres, sua mãe e mais três terapeutas, que resolveram comprar uma fazenda e viver sob as leis do monastério, incluindo castidade, pobreza e obediência. Nesse contexto, Castello construiu sua fortaleza.

Assumiu o seu nome e sobrenome “Castello Branco” para lançar seu primeiro disco. “Eu quase assinei como Niska. Só que Castello Branco era novo pra mim, também me pareceu uma energia que eu precisava mais no momento. Ninguém nunca me chamava assim.”

Quando questionado sobre a possibilidade de ser confundido com o ex militar e político brasileiro, o cantor afirma: “É o meu nome, é o meu sobrenome. Se ainda fosse uma escolha estética… E como eu não tenho parentesco, muita gente me falou que eu poderia trazer o Castello Branco para um lugar que não fosse estranho e ruim. Quando me falaram disso, eu optei por esse Serviço.”

Serviço é o nome do primeiro álbum do cantor. Hoje (1º de outubro), quatro anos depois, Castello lança Sintoma. Se o Serviço nos apresentava uma possibilidade com o outro, o Sintoma, dessa vez, é individual. “O disco é sobre a alma. Sinto que está todo mundo com um sintoma: meio doente da cabeça e da alma. As músicas buscam uma certa cura”, afirma o cantor.

Apesar da proposta ser séria, há muito otimismo nas músicas. Desse “Ufolclore”, como o artista define esse movimento musical, nascem arranjos delicados e frequências meditativas. O disco começa com o “Peso do Meu Coração”, uma música que já é tocada nos shows, apesar de nunca ter sido gravada. Depois do play, o disco é um passeio pelo folclórico, brasileiro e eletrônico.

A delicadeza da voz de Castello e de vozes femininas estão sempre presentes. “Gosto muito da voz feminina, porque combina com minha voz.” Cantam com ele Mãeana e Verônica Bonfim. A voz de Branco também está mais feminina, combinando com a criança estampada na capa: ele próprio, quando menino.  Diferentemente da atmosfera coletiva no uso de coros em Serviço, Sintoma chegou com vozes mais sólidas, incluindo interpretação de Filipe Catto que canta uma música sozinho.

Para chegar nesse resultado, houve muito estudo. “Queria tirar um pouco a minha poesia do modo poesia e colocar ela num lugar de estudo”. Parece que conseguiu. Como compositor, o artista continua com letras reflexivas sobre questões evolutivas, o amor, e som.  A produção musical do disco é assinada pelo autor, que tem como coprodutores o maranhense Ico dos Anjos e o carioca Lôu Caldeira.

Para escutar:

 

Categorias:Arte, Música

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