Literatura

7 distopias imperdíveis

A distopia é caracterizada como um modelo ditatorial da sociedade; é o contrário da utopia, que é definida como um “não-lugar”, um mundo ideal onde todos os problemas são resolvidos de forma harmônica, tudo funciona, é bom e perfeito. Já na distopia, os defeitos da sociedade são levados às últimas consequências, constituindo um ambiente autocrático, opressor, cruel e totalitário. Geralmente nos identificamos com as distopias, pois elas refletem os piores defeitos que o mundo pode ter, deixando-nos atentos e com medo do futuro que nos aguarda. Confira sete obras utópicas imperdíveis do gênero:

1) 1984 – George Orwell

Talvez um dos escritores mais famosos de distopias seja George Orwell. O livro “1984” fez (e ainda faz) um sucesso estrondoso e cada vez que um político controverso assume o comando de uma grande nação, atuando de forma tirânica, o romance volta a ser lido e comentado. Foi o que aconteceu com a eleição de Donald Trump e o uso do conceito de “fatos alternativos” pela sua equipe – que lembra muito o “duplipensamento” de Orwell. A questão é que “1984”, incomoda, pois muitos dos costumes descritos pelo autor são semelhantes a nossa realidade (lembrando que o livro foi publicado em 1949). O enredo se passa em uma cidade chamada Oceania no que um dia foi a Grã-Bretanha; a população é constantemente vigiada e dominada por um governo tirânico, em um mundo que vive em guerra. Além disso, os habitantes da cidade são manipulados de acordo com a ideologia do partido no comando. Livros de história são alterados, jornais, registros, tudo o que vai contra os interesses do Grande Irmão, o líder supremo. O livro apresenta um enredo denso e uma atmosfera pesada; pensar em viver em um lugar como Oceania é sufocante.

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2) O Conto da Aia – Margaret Atwood

Um dos livros mais comentados do ano, a distopia de Margaret Atwood já apareceu em um post aqui no Sete Íris. “O Conto da Aia” se passa na República de Gilead, região dos Estados Unidos antes de sofrer um golpe por um grupo cristão fundamentalista; dessa maneira, é implantado um regime de governo totalitário e teocrático, retirando todos os direitos das mulheres. As férteis eram sequestradas e viravam Aias nas casas de importantes comandantes e aquelas que se recusavam a colaborar ou não conseguiam gerar crianças eram enviadas para campos de trabalhos forçados ou mortas. O enredo é contado pela visão de Offred, uma das Aias que é obrigada a manter relações sexuais não consensuais – ou seja, estupro – mensalmente com o Comandante, a fim de gerar um bebê. O que é apavorante em “O Conto da Aia” é – de novo – a semelhança com a realidade, dessa vez com a realidade feminina; homens tomando decisões por nós, a desvalorização, a culpabilização da vítima de estupro, a ideia de que a mulher serve somente para gerar uma vida. A partir de notícias verdadeiras, a escritora canadense escreveu em 1985 o impactante romance, só agora alcançando um sucesso estrondoso – e merecido.

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3) Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? – Philip K. Dick

Mais conhecido pela adaptação para o cinema chamada de Blade Runner, o enredo se passa num futuro pós desastre nuclear, em que praticamente toda a população passou a habitar outros planetas do sistema solar, deixando a Terra parcialmente desabitada. É um cenário de desolação e destruição; o enredo gira em torno do caçador de androides Rick Deckard, que caça “robôs” muito semelhantes a humanos para “aposentá-los”, ou seja, destruí-los. O que chama atenção é a descrição do ambiente em que se transformou a Terra, envolta por poeira, árida, quase deserta, sem animais ou vegetação. É um dos livros mais conhecidos de Philip K. Dick; se você não conhece o escritor, recomendo começar por este livro.

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4) Nós – Yevgeny Zamyatin

Tão pouco conhecido pelo leitores, “Nós” é um dos primeiros romances distópicos da literatura. Escrito entre 1920/1921, o autor descreve a realidade em que vive um jovem cientista, inserido em um mundo o qual impera a perfeição, a precisão matemática em todos os aspectos da vida, um lugar onde o livre arbítrio é desencorajado, quase proibido. Todas as horas do dia são rigorosamente controladas pelo Benfeitor, o governante supremo; a individualidade é suprimida e as casas são feitas de material transparente, então cada cidadão vigia o outro o tempo todo. Estudiosos acreditam que George Orwell se inspirou no romance russo como modelo para escrever “1984”, pois o escritor começou a compor seu livro após ler a tradução francesa de “Nós”. Se analisarmos as duas obras, conseguiremos encontrar semelhanças nos enredos; de qualquer forma, é muito válido conhecer ambos e refletir sobre os mundos retratados.

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5) A Guerra dos Mundos – H. G. Wells

Uma invasão alienígena acontece na Terra e os seres humanos são dominados pelos seres extraterrestres. Este é o pano de fundo de “A Guerra dos Mundos”, um clássico da ficção científica que também pode ser considerado uma distopia. No enredo os áliens são criaturas de constituição mole, que não conseguem se mover na superfície terrestre devido ao seu peso (são muito parecidos com polvos). Assim, eles desenvolvem armaduras gigantescas que sustentem seus corpos desajeitados e que dê a eles a possibilidade de se moverem para qualquer lugar. Os trípodes, como eram chamados, não pousaram na Terra para uma conversa amigável: a intenção é exterminar a humanidade com seus raios de destruição e ir aos poucos tomando conta do planeta. É um romance interessantíssimo que prende o leitor do começo ao fim e que tem um final inesperado. Apenas leia.

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6) Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

Um romance com um dos enredos mais sufocantes para os leitores: no mundo de Fahrenheit 451, os livros são proibidos. Caso alguém fosse capturado possuindo um livro, bombeiros incendiavam a casa da pessoa; sim, ao invés de combaterem o fogo, o enredo mostra os bombeiros queimando as casas de quem desobedecia a lei. A televisão foi transformada na única distração possível, então os monitores são feitos com alta tecnologia, são enormes, barulhentos, praticamente arrastando o espectador para dentro da TV. Familiar, não? Os diálogos mais profundos e o pensamento crítico também são desencorajados, construindo uma sociedade superficial.

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7) O Homem do Castelo Alto – Philip K. Dick

Como seria o mundo se as potências do Eixo tivessem vencido a Segunda Guerra Mundial? É o cenário que Philip K. Dick constrói ao escrever “O Homem do Castelo Alto”; os Estados Unidos são entregues à Alemanha de Hitler e ao Japão e toda configuração de sociedade muda drasticamente. Um livro proibido, porém, começa a dominar o imaginário dos personagens; ele retrata como seria o mundo se os norte-americanos não tivessem perdido a guerra. Os personagens são quase todos ligados por esse livro e pelo oráculo japonês I-Ching, costume disseminado pelos japoneses e usado para guiar cada decisão tomada pelos personagens. “O Homem do Castelo Alto” tornou Philip K. Dick conhecido no meio das distopias e da ficção científica; além disso, o livro deu ao escritor um Prêmio Hugo, um dos prêmios mais prestigiados do gênero da ficção científica.

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