Maternidade

Presente: Quando o amor bate à porta

Recentemente, eu te peguei olhando no espelho e notei que você está ficando cada vez mais com cara de mãe. É incrível. Falei isso no momento exato quando você retornou confirmando esse rosto de amor. Olho para a Laurinha e vejo você em miniatura e com tanta grandeza de cuidado que você tem por ela. Aquele mesmo cuidado que nascia em ti desde o momento em que você me deu a notícia da gravidez e, após isso, uma ligação dizendo “É menina, amiga. É Menina! Desde então, ela me toca com aquelas mãos tão pequenas e eu sinto toda a história da nossa amizade, do nosso amor, dos passeios na chuva de bicicleta, com os cadernos dentro da sacola para não molhar nenhum. Sinto o abraço na praça, as primeiras decepções amorosas compartilhadas, os trabalhos da escola, a tua fala lenta que acabavam rápido os créditos de nossas operadoras diferentes, os choros, o nosso pacto de irmandade, os atrasos, as madrugadas de conversas regadas à músicas e lembranças. São tantas histórias através do toque de recordações. Falar de você através da Laurinha ou vive versa é inevitável. Outro dia eu li no livro de poemas de Rupi Kaur: “tenho tanta dificuldade/ de entender/ como alguém/ pode derramar sua alma/ sangue e energia/ em alguém/ sem pedir/ nada em/ troca – tenho que esperar até ser mãe.

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Diretamente dos títulos de Carlos Drummond “Amar se aprende amando”, a gente aprende a ser mãe quando nos tornamos uma. É uma experiência privada daquelas que são, quem ainda não é, apenas imagina como pode ser. Enquanto isso não ocorre, não entendemos. A maternidade te coube tão bem, que meus espaços onde mora o amor transcorrem tamanha admiração em ver e presenciar tudo isso. Tenho dito, posso não ter um castelo, mas tenho duas princesas. Falar de você é pensar em tudo que construímos juntas, em todos os presentes, passados com saudades que valem a pena serem sentidas. Falar de você é também saber as sementes boas que você gerou/gera. De tão bela por dentro, você trouxe para esse lado de fora outra beleza que tem olhinhos claros, cabelos loiros enrolados, que anda, corre de tão feliz machucando os joelhinhos para voltar a fazer peripécias. Eu sempre chamei a atenção para a idade que completamos, não importa tantos anos, pois nosso outro eu havia nascido junto com a Laurinha, você mamãe e eu amiga da convivência de uma maternidade incrível. Crescemos na mesma idade junto com ela. O presente brotou de você. E hoje fala “mamãe” com o sorriso e dentes nascendo. É o teu presente para este dia 21. É o nosso presente de uma vida inteira.

Categorias:Maternidade, Poética

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