Comportamento

Especial Setembro Amarelo: Eu+1

Cada vez mais uma sensação de solidão me invade. Quanto mais busco me conhecer, sinto isso. Porque também reconheço minha singularidade, minhas dores próprias, meu corpo que sente e que sabe: ninguém mais, no mundo todo, fez esse trajeto igual ao meu. Ainda assim, sei da importância dos olhares e toques de empatia que tanto me fortalecem. Esse estar junto e sozinha que só é possível através da troca.

O documentário “EU+1” chegou para reafirmar tudo isso que preciso escrever. Ele narra a jornada de uma equipe de atenção em saúde mental na Amazônia, formada para escutar os ribeirinhos em Altamira atingidos pela hidrelétrica de Belo Monte, que alterou completamente o ecossistema e modo de vida de quem morava por ali. Pessoas especializadas moveram corpos para uma escuta atenta de outros corpos. Pela experiência única de cada voluntário, encontramos possíveis caminhos para percorrer o nosso.

eu+1

Qual a sua travessia? O que você pode fazer? As pessoas do documentário puderam se deslocar e se fazer presentes numa emergência nacional. Acredito que podemos ser presentes aqui. É um ponto no meio de um oceano caótico? É. Mas quantas vezes um amigo não te salvou daquela crise que você será eternamente grato? Quantas vezes uma pessoa não fez aquele favor, em troca de nada? Quantas vezes aquela gentileza – e atenção – te fizeram mudar de postura? O que você faz com o que sabe? Para quem serve os seus conhecimentos?

Você olhou nos olhos do seu chefe hoje e perguntou por que ele está tão estressado? Ou olhou nos olhos de quem você é chefe e entendeu sua dispersão? Você consegue explicar para o seu pai – que não teve a mesma experiência e educação que a sua – que hoje você pode e deve escolher a carreira que quiser? Você escutou o que disse aquela moça com o olhar tão baixo? Você ofereceu ajuda para alimentar quem estava com o dia muito ocupado e não conseguiu sair para o almoço?

Quantas vezes você se mostrou disposto a entender o atraso do outro? Quantas vezes você perguntou para sua mãe por que ela te tratava dessa forma? Você está olhando para quem está perto? As suas habilidades curam ou pioram o outro? Qual o seu alcance e o que você faz com ele? O cuidado é necessário. Do jeito que a gente consegue e acredita. Porque isso pode sim salvar uma pessoa. Mas um movimento só é possível quando você traz mais um. Vamos?

Lembrando que buscar ajuda profissional é de extrema importância, e que em caso de doenças mentais, o combo medicação + terapia muitas vezes é necessário. No entanto, isso não anula a relevância da conversa, de escutar e, principalmente, ter empatia com a dor do outro.

 

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