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Como está a situação do Museu da Língua Portuguesa

O incêndio no Museu da Língua Portuguesa em dezembro de 2015 foi um dos assuntos mais comentados do Brasil durante meses. A tragédia chocou a população de São Paulo ao destruir parte da Estação da Luz, onde localiza-se o museu. O fogo começou no primeiro andar e espalhou-se rapidamente aos pavimentos superiores; a propagação rápida das chamas foi ocasionada pela quantidade de material eletrônico, pela estrutura de madeira do local, por materiais plásticos e por redes que faziam parte do acervo. Apesar de não estar aberto ao público no dia da ocorrência, um bombeiro civil – que atuava nas dependências do local – morreu ao tentar colaborar com a extinção do fogo.

Quase dois anos depois do incêndio, o Museu está sendo restaurado. A reforma começou em dezembro do ano passado e está na fase de recuperação integral da fachada. Os restauradores estão reaproveitando estruturas de madeira de mais de 100 anos que não foram danificadas pelo fogo para criar novas peças da parte interna do local, conta Wallace Caldas em entrevista para o Jornal Nacional. A Estação da Luz está inteira coberta com um véu em razão da reforma da fachada, com previsão de conclusão em outubro; a próxima fase será a reconstrução da cobertura do Museu e, por último, a recuperação completa da parte interna do prédio. A expectativa dos arquitetos e restauradores é a reabertura do museu, completamente reformado e modernizado, em 2019.

Breve história do Museu da Língua Portuguesa

Aberto para o público em 21 de março de 2006, concebido pela Fundação Roberto Marinho, o museu localiza-se na Praça de Luz; consolidado como um dos museus mais visitados da América do Sul e do Brasil apenas em seus três primeiros anos de funcionamento, já foi palco de diversas exposições importantes, como a de Câmara Cascudo. Já hospedou a exposição de humor “Esta Sala É Uma Piada”, composta por charges, caricaturas e histórias em quadrinhos; uma das áreas principais tratava-se das charges publicadas no ano do Golpe Militar de 1964 em um dos jornais mais importantes do Brasil, no período de maior repressão, o AI-5.

Outra exposição de destaque foi aquela em que o museu convidava o público a escrever poesias. “Não tem idade para ser poeta. Você gostaria de escrever uma poesia? Existem grandes artistas que têm o dom das palavras. Mas qualquer um pode se arriscar em alguns versos”, era a proposta da exposição. Livros eram encontrados pelo local, todos em branco, dando a chance ao público de dar asas à imaginação e brincar de ser poeta por um dia.

A principal característica do museu reside na maneira inovadora de lidar com a língua portuguesa. Recursos interativos e tecnologia de ponta foram usados para difundir a importância do nosso idioma e aproximar-se do público, principalmente dos mais jovens. Isa Ferraz, curadora do Museu explicou que: “Mudou paradigmas e virou referência internacional. Foi revolucionário não só pela tecnologia e formato mas pela maneira de encarar a língua portuguesa.”.

Projetos recentes

Planejada desde 2013/2014, o Museu da Língua Portuguesa realizou exposições itinerantes desde março de 2016, divulgando seu acervo. A mostra, chamada de “Estação da Língua” passou por cidades como Araraquara, Pirassununga, Sorocaba, Campinas e outras. Segundo a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a exposição itinerante em 2016 seguiu o conceito central do Museu da Língua Portuguesa, propondo interatividade e tecnologia como veículos para apresentar o idioma ao público, nos seus mais variados sotaques e evoluções.

Como o acervo do museu é digital, ele pode ser aplicado e adaptado para outros espaços. A “Estação da Língua” apresentou atrações como o “Mapa dos Falares”, que exibiu a singularidade do português falado em diferentes regiões do estado de São Paulo. A mostra teve como objetivo promover o acesso da população ao acervo digital do museu, podendo ser visto somente em ações como a planejada em decorrência do incêndio, que fez com que o local fechasse as portas para a restauração. Além disso, o Museu da Língua Portuguesa elaborou uma exposição na FLIP e também terá uma instalação na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. A intenção da exibição é recriar o ambiente da Praça da Língua, uma das principais atrações do Museu. Mais informações podem ser conferidas aqui.

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