Arte

Temer, de que árvore você nasceu? 

Uma área da Amazônia, de espaço do tamanho da Dinamarca, está ameaçada. Temer nos ataca, mais uma vez, com seu decreto que extingue a Reserva Nacional de Cobre e seus Associados (Renca), localizada entre o Pará e o Amapá. Cheia de ouro e cobre, a região pode ser entregue às mãos de mineradoras. Mesmo que a gente escreva, mesmo que exista um novo decreto para disfarçar, mesmo que os artistas critiquem.

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Foto por: Claudia Andujar

Me assusta o quanto um governo pode estar tão distante de si. E de nós. O Greenpeace está aí para defender a floresta, as aulas de biologia estão aí para dizer o quanto precisamos dela, os jornais estão aí para nos alertar.  Eu leio e escrevo. Mas principalmente, sinto. Com a ajuda da arte e do autoconhecimento. Sinto muito, Temer. E também sinto energia e conexão em mim.

Há muita potência nas nossas energias, senhor presidente. O primeiro Chakra no nosso corpo (meu e seu), é o da Raiz – Muladhara. Ele diz sobre conectar-se com a Terra – esse tanto de vida que existe há anos e anos e anos. Sentir-se aterrado. Esse ponto energético que se liga aos sentidos das nossas sobrevivências, como comer, beber, dormir, reproduzir. Essa conexão também encontrei no documentário “Cooked“. Que nos ensina buscar a sobrevivência na Terra. Indico.

Indico estarmos atentos às nossas energias e ao nosso lugar. Por que sabe o que acontece se esse Chakra Muladhara anda desequilibrado? Podemos ter ações destrutivas à vida. Não queremos morrer, não é mesmo? Nem ter esse aspecto apático, sem paixão, insatisfeitos, frígidos. Também não quero insinuar que uma pessoa de bem não anda cuidando bem da gente e de si. Nem das nossas árvores. Nem do nosso futuro. Com respeito ao passado. E presente.

Espero que você cuide bem da gente, Temer. Da Amazônia. Das raízes. Eu olho para as fotografias de Claudia Andujar, em Inhotim, e torço, mesmo, para que um dia você consiga enxergar algo que ela enxergou naquela floresta. Imagina: a curiosidade da mulher e a vontade de compreender o outro e a si mesma fizeram com que ela se envolvesse com a questão indígena no Brasil. Sua atuação, inclusive, foi fundamental para a demarcação da Terra Indígena Yanoma.

Eu admiro tanto essa moça. Que fala com fotos. Que precisou encontrar soluções para sobreviver. Que sente mais que a gente. Que protege, que encontra o outro, que vai lá ver. Que entende de onde veio – mesmo que tenha nascido na Suíça. Algo me diz que as fronteiras são outras. Presidente, você é brasileiro de que terra?


Para saber mais sobre Claudia Andujar, indico esta entrevista para a Trip, em março deste ano.

Categorias:Arte, Lugares

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