Comportamento

Não mexa na minha bagunça

“Organização é o segredo da produtividade.”

Isso é o que todos os gurus da produtividade dizem por aí. E qualquer pessoa com bom senso pode notar que faz muito sentido: com a vida organizada perdemos menos tempo resolvendo os problemas que só surgem no caos e conseguimos produzir mais. Ok, sem questionamentos. Mas a realidade é que a organização não é exatamente um hábito simples de se adquirir.

A bagunça sempre foi uma característica minha. Ter tudo organizado me parecia artificial, encenado. Como alguém pode morar de verdade nessas casas de revista? Nunca fez sentido pra mim ser tão metódica com as coisas. “Eu me acho na minha bagunça” sempre foi o meu mantra.

Na adolescência funcionava muito bem. A roupa limpa estava debaixo do travesseiro, a tarefa de casa embaixo da cama junto com uma pilha de papéis e a grana tava toda espalhada no bolsinho de fora da bolsa. Dava um pouco de trabalho achar o RG na véspera da prova do vestibular, mas era só uma forma de manter a adrenalina lá em cima pra fazer a prova.

Psicólogos e coaches de produtividade dirão que a bagunça é uma forma de esconder uma confusão interna e a falta de definição de objetivos na vida. É bem provável que eles tenham razão. Afinal, quando somos jovens é quase impossível não estar imerso em uma confusão interna e  na falta de objetivos bem definidos.

A questão é que quando chegamos na vida adulta, pegamos a prática em deixar tudo bagunçado e transformamos em uma característica pessoal: sou bagunceira. E vestimos esse rótulo até com o certo orgulho, como o símbolo de uma autonomia conquistada, “sou dona da minha vida e posso deixar tudo bagunçado se eu quiser”. E quanto mais coisas fazemos, maior o potencial da bagunça tomar conta de nossas vidas.

A verdade é que em algum momento da vida a gente não consegue dar conta dos afazeres em meio ao caos.  Trabalho, casa, estudos, filhos. As demandas se multiplicam e não sobra mas espaço na memória pra lembrar que o cartão do plano de saúde está embaixo da pilha de boletos vencidos. Até porque quem consegue lembrar disso quando precisa sair com urgência pra levar a cria ao médico!? A sua bagunça afeta a vida de todos ao redor e começa a ficar meio constrangedor não encontrar com facilidade aquele documento importante na mesa do trabalho quando o chefe pede.

A solução pode ser fazer uma dessas terapias de produtividade que existem por aí, mas não tenho certeza da eficácia delas para pessoas que já têm a bagunça como um elemento da personalidade. Cada vez mais venho me fiscalizando para não deixar as coisas tão desordenadas. Com auxílio de agendas, cadernos e aplicativos de celular, tento não perder datas importantes e prazos de entrega de projetos. Já é um começo, mas não é o suficiente. Minha bolsa pessoal que o diga.

Eu poderia indicar um monte de  livros sobre organização, mas pra quem já cresceu alimentando a crença de que a bagunça é  uma aliada, é muito difícil que tais livros exerçam algum poder de influência seu modo de ver a vida. Eu mesma já li vários e nenhum conseguiu me fazer mudar práticas caóticas já enraizadas.   Mas existe um livro sobre organização para adolescentes, que talvez faça sentido para a geração que ainda não assumiu a bagunça como um traço de identidade. Quem mexeu na minha bagunça, livro de Celi Piernikarz e Marlucia Ramiro Gonçalvez, fala sobre os benefícios da organização para jovens. O livro é praticamente um guia com passo a passo e atividades para tornar a organização  uma prática natural para os jovens. Escrito por uma psicoterapeuta e uma jornalista, o livro pode ser visto como um material de autoajuda para jovens, mas considerando o trabalho pedagógico das autoras, que realizam palestras e encontros educativos em escolas, a minha percepção do livro é um pouco mais didática.

Como uma adulta assumidamente bagunceira e que hoje passa por vários apertos por não ter desenvolvido o senso de organização, entendo a importância de orientações sobre organização desde a infância. Se levarmos a sério a organização desde cedo, seja possível não desenvolver um apego emocional ao caos e tornar o cotidiano mais simples.

 

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Categorias:Comportamento, Lares

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