Comportamento

De manhã até amanhã

O despertador toca. Desperta a dor. Olho para o relógio que não dá ré. Reparo no tempo e paro antes de começar. Levanto leve e me levo ao banheiro. Na banheira, tomo um banho morno, enquanto escuto o que estiver mais fácil. Não sou fácil de manhã. Amanhã, quem sabe. Acordo, de verdade, desesperada, dez minutos depois de tudo isso. Procuro uma roupa. Visto-a e vou trabalhar. Dar trabalho, por vezes.

Oito horas estou lá. Duas pessoas chegaram antes de mim. E-mail e meu dia começa. Bom dia, Vi. (Vi de Vitória, mas poderia ser de víbora). Viva hoje. Não basta ser segunda, é pós debate no Congresso. Todo mundo: o pó. Ninguém gosta da esquerda aqui. Eu, que sento mais pra lá do que pra cá, gosto. Mas quem se importa de que lado você está? Você está do lado que é?

Trabalho automaticamente. Depois de alguns meses, a gente já consegue não pensar. É um alívio, mas é frustrante. Será que um dia eu vou passar um mês num trabalho que tenho que pensar toda hora? Talvez não aguentasse um minuto essa falta de minuto para mim.

Horário de almoço do pessoal. Eu fico mais um pouco. E por pouco não desmaio de fome. As coisas do trabalho desandam enquanto eu penso em sair andando. Só mais alguns minutinhos. Ah, a espera dos apaixonados… dos dados e aliados…

Às duas, encontro meu amor leal. De leão. Nós dois desamarrando os nós do passado, ao pass(e)ar pela Liberdade. Enquanto comemos qualquer besteira, ele bagunça meu cabelo (e minha vida), mas arruma. Reclamo do trabalho. Inspira – diz a pessoa que me inspira. Expira. Estar com ele me faz querer ser. Querer ser e crescer. Até o entardecer, me beija no olho e me dança na sala. Mata com a boca, beija com o olhar. Despedimo-nos sem tchau.

Faculdade. Vou andando e o pensamento, voando. Passo, com o passo lento, pelos mesmos lugares de sempre. Não tenho pressa, apesar de estar presa ao tempo. Um morador de rua pede ajuda. Desando, desarmo a arma(dura) e  amo.

Na aula, o tumulto me distrai. A paz interior contrasta com a euforia do lado de fora. Dentro de mim, não sei. Exteriormente, conhecimento. Autoconhecimento? Professor fala. Alto. Alguns anotam, outros notam – o que quer que seja. Cereja, bolo, menos breja, intervalo. Na volta, professor falta. Nos alunos, falta bom senso para disfarçar a alegre alegria.

Podemos ir para casa. Sempre. Mas, agora, sem peso na consciência. Carrego só o cansaço. O peso é do corpo. Peso-me na farmácia. 49 físico, 94 alma. Tenho pressa para a Consolação. Paraíso passa longe e Liberdade não é caminho. O que importa é que há sempre Saída para quando perdemos a Linha. Final do dia. Finalmente, casa. Confundo-me com cama e de(le)ito-me. Já é quase (a)manhã.

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