Entrevistas

República Popular: poesia para sossegar

O Curió é uma ave nativa do Brasil muito famosa pelo belo cantar. Presente em toda a extensão nacional e espalhada pelo mundo, possui diferentes dialetos de cantos que variam conforme a região que habitam, mas uma coisa está sempre presente: a boa voz, a melodia e a repetição aprimorada nos sons. Qualquer semelhança com a amazonense República Popular não é mera coincidência. A banda formada por Igor Lobo na voz e violão, Sérgio Leônidas no baixo, Vinítius Salomão na guitarra e Viktor Judah na bateria, lança hoje o single “Curió”, o pontapé inicial de um novo trabalho que irá mostrar a Amazônia sob uma perspectiva diferenciada, com músicas que permeiam a tradição e o moderno. Extremamente rica em inspiração e poesia, a temática do novo álbum, previsto para 2018, começa com um single encantador e ilustrado no clipe realizado em parceria com a artista Bianca Mól. Confira agora no Sete Íris uma entrevista com a banda que sossega corações:

SI: Como foi o início da banda?  

RP: A banda começou no ensino médio, quando nós quatro nos juntamos pra uma competição musical dentro do colégio, nossa união deu liga e resolvemos seguir a diante. Depois de alguns anos fazendo muitos shows e arriscando algumas composições, metemos a cara pra gravar nosso primeiro disco, “Aberto Para Balanço” (2015), que foi produzido de forma totalmente independente. Em 2016 lançamos “LIS”, um EP conceitual composto de 7 canções com nomes de mulher. Com as novas composições, o formato da banda precisou ficar um pouco mais versátil, rolando sempre uma troca de instrumentos entre os integrantes e entre uma música e outra.

3SI: A clássica pergunta, por que República Popular? 

RP: O conceito e o soar de República sempre nos cativou e parecia estar alinhado com a forma que a banda pensava e nasceu, mas buscávamos ainda algo que complementasse o significado e também nos diferenciasse. De forma óbvia para nós, o Popular veio somar devido ao nosso som de natureza mesclada com vários viés da música popular tipicamente regional e também nacional. Daí então, República Popular. Diferente do que alguns pensam, não houve motivação política ideológica (risos).

SI: Como é ser uma banda de Manaus? Os estereótipos têm que ser quebrados constantemente? Qual a dificuldade de se fazer música fora do eixo Rio-SP?  

RP: A cena manauara é repleta de grande variedade de sons e estilos, isso ajudou a quebrar os estereótipos dentro do próprio estado, mas, ainda assim, já fomos muito prejudicados pela desunião entre os artistas. Nos últimos anos, muito trabalho foi produzido, festivais novos foram realizados, e isso melhorou a interação dentro da própria cena, o que deixa todos esperançosos quanto ao futuro da música amazonense. A dificuldade maior em estar tão longe do eixo Rio-SP é, justamente, estar longe das pessoas influentes no mercado musical brasileiro. Os grandes nomes estão todos lá, então eventuais viagens para o sudeste continuam sendo um caminho natural a ser seguido.

SI: Qual a importância das redes sociais na carreira de vocês? Como é a relação com os fãs?  

RP: As redes sociais são nosso principal canal de divulgação e interação, imagino que seja assim pra qualquer artista hoje em dia, grande ou pequeno. Temos uma relação próxima com nossos fãs, afinal, quem somos nós, né? (Risos) Somos do povo, fazendo música para o povo. Gostamos sempre de ouvir o feedback do público sobre nossos trabalhos e, felizmente, sempre é algo gratificante.

SI: Qual o estilo define melhor o som de vocês? Quais as principais influências da banda?  

RP: Gostamos de pensar que somos um Neo-Tropicalismo-Pop-Eletrônico-Progressivo-Regional-Core (risos). Mas, na verdade, nunca conseguimos responder a essa pergunta, fazemos tantas misturas que não temos tempo de pensar no rótulo. Nossas influências são as mais inusitadas possível, de Jorge Ben a Bon Iver, passando por Reginaldo Rossi, Beach Boys e um “tiquinho” de Chiclete Com Banana. (Risos)

SI:  Qual momento da carreira é o mais importante para vocês?  

RP: O momento mais importante da carreira, por enquanto, é o momento atual. A gente pensa que agora cada um consegue agregar valiosamente aos trabalhos da banda, reunindo traços das influências de cada um. Nós damos muito valor a este aspecto multifacetado do conjunto, que se reflete em cada canção. Além disso, hoje em dia, perseguimos – é bem esse o termo – o alto nível de produção de cada obra a ser liberada ao público, até porque funciona como uma tentativa de manter a qualidade de muito do que tem sido feito por aqui.

SI: Vocês são multi-instrumentistas, revezam no vocal, nas composições. Contem-me um pouco como funciona o processo criativo de vocês.  

RP: O processo criativo costuma funcionar melhor quando cada um cria sua própria canção, letra e música, e leva aos demais para montar os arranjos de instrumentos, vozes. As inspirações são muito variadas, indo de pessoas a situações, mas a prioridade é sempre contar (ou cantar) histórias, reais ou não (quase sempre reais). Já tivemos casos de compor , de fato, em conjunto, mas essa seria mais a exceção do que a regra. Uma grande vantagem de se ter vários compositores é que, em muitas vezes, buscamos complementar as ideias uns dos outros, o que acaba funcionando muito bem quando sentamos para elaborar o conceito de um novo trabalho. É comum pensarmos em temáticas e gêneros “X,Y,Z” e cada membro assumir uma dessas linhas separadamente pra dar vida a novas canções.

SI: O último trabalho de vocês faz referência sempre ao nome de mulheres. Por quê? Qual é a relação de vocês com o universo feminino? Vocês se impuseram a temática ou aconteceu naturalmente?  

RP: Não é de hoje que vemos artistas colocando nomes de mulheres em suas músicas, e essa tecla sempre bateu em nossas cabeças. Rolava frequentemente uma conversa de “precisamos ter uma música com nome de mulher”. Depois de lançar o primeiro álbum, acabou surgindo mais de uma música com nome feminino, e com isso veio a ideia do EP. Nem todas ali tinham aqueles nomes a princípio, mas percebemos que elas tinham mais a ver com a pegada de “LIS” do que com “Húmus”, nosso segundo álbum, com lançamento previsto para 2018, então foram rebatizadas e agregadas ao EP. Nossa relação com o universo feminino é a mesma que qualquer pessoa tem: há mulheres especiais em nossas vidas, com quem já vivemos ou presenciamos as mais diversas histórias. Quisemos apenas contar isso tudo em música e prestar essa singela homenagem.

SI: A música “Curió” é o prelúdio de um novo trabalho? O que podem nos adiantar sobre?  Qual a história da canção?  

RP: A música é um single, juntamente com mais 2 outras canções (vamos manter uma surpresa aqui) que serão lançadas no próximo mês de setembro. É sim o prelúdio de um novo trabalho. A ideia do álbum é reapresentar a Amazônia e o que por aqui acontece, tudo sendo visto por uma ótica diferente, respeitando as raízes e reconceituando o “moderno” em termos de música amazônica. Dentro desse contexto, entra a canção “Curió”. É uma narrativa cantada em versos inspirados em acontecimentos reais. Trata-se, de fato, de uma declaração de amor feita para transcender épocas, ocasiões, seres, homens, mulheres, não importando quem pratica e como tal amor será praticado. A ideia de “voar” entre pessoas e sensações reflete o sentimento que fundamenta a obra, bem como é o desejo de propagação da mesma para além da atmosfera amazônica, do campo da música.

SI: Como foi a escolha da Bianca para a realização do clipe?  

RP: A Bianca surgiu durante uma conversa com a nossa equipe de assessoria. Um dos profissionais, Daniel Pandeló, estudou com a Bianca na faculdade e nos recomendou o trabalho dela durante uma reunião. A gente, primeiro, perguntou se ele conhecia alguém que trabalhasse com animação e ele disse que conhecia uma pessoa que poderia ajudar. Vale ressaltar que a Bianca não somente ajudou, como deu vida à história contada na música. Cada detalhe, cada movimento, o fluxo das informações em concordância com cada acorde… O trabalho está primoroso e a sensação da experiência música-clipe é acachapante.

SI: Quais os próximos planos e sonhos para a banda?  

RP: Os planos, a partir de agora, são o lançamento do single em setembro, confecção dos próximos clipes também inerentes ao single, lançamento do “Húmus” no ano que vem e já começar a trabalhar no próximo álbum. O sonho, de fato, é tornar o trabalho visível nacionalmente (e internacionalmente, por que não?) e mostrar a qualidade da cena aqui na cidade de Manaus em outro patamar. Sonhamos também participar da Dança dos Famosos… E tocar no Encontro com a Fátima Bernardes… E fazer parceria com a Anitta também… Tem um monte de sonho (risos).

Para saber mais da banda República Popular:  https://www.facebook.com/republicapopular/

Para ouvir o CD “Lis”:

Ficou curioso com o trabalho da Bianca Mól? Semana que vem a entrevista é com a própria. Não perca!

Categorias:Entrevistas

3 respostas »

  1. Muito show essa entrevista com os integrantes da Banda Repulblica Popular. Parabéns e sucesso para vocês á estrada é longa com muitas curvas. Mais só vence quem não perde a esperança e a fé em Deus.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s