Literatura

Conheça Waly Salomão

“Você precisa saber da piscina, da margarina, da Carolina. Você precisa saber…” do Waly!

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Poesia total, Waly Salomão (Companhia das Letras, 2014)

Conversando com um amigo belo-horizontino, referenciei o poeta Waly Salomão, pensando, ingenuamente, que todos o conheciam. Com a sua resposta negativa, bem justificada pelo argumento de que dificilmente a cultura nordestina alcança o sudeste, pensei: “Como ele não conhece? Todo mundo precisa conhecer Waly!” A minha intenção com o post de hoje é, portanto, reparar esse erro com o máximo de pessoas que ele possa atingir.

 Waly Salomão foi um poeta do interior baiano, oriundo de uma cidade muito quente chamada Jequié. Waly é de uma safra de artistas que fizeram e aconteceram na cena nacional, formada em boa parte por baianos, como Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Tom Zé, todos eles constituindo o grupo do movimento tropicalista. Waly faleceu em 2003, em decorrência de um câncer no fígado.

Sem título

Matéria na publicação alternativa Navilouca (1974) anunciando o lançamento do primeiro livro do poeta

O poeta jequieense foi celebrado em canções por vários intérpretes, mas sua autoria, muitas vezes, é ignorada. “Vapor Barato”, por exemplo, gravada e regravada por vários cantores, como O Rappa, Gal Costa e Zeca Baleiro, é dele. Também podemos encontrar seus versos ecoando nas vozes de Jards Macalé, Cazuza, Adriana Calcanhotto, Caetano Veloso e João Bosco.

Em 2014, a Companhia das Letras reuniu, pela primeira vez, toda a obra de Waly Salomão, no livro Poesia Total. Passeando pelos seus livros, desde “Me segura qu’eu vou dar um troço” (1972) à “Pescados vivos” (2004), conhecemos um poeta vanguardista heterogêneo, articulado com várias linguagens artísticas, e também com a sua poesia fecunda e fatal.

Deixarei aqui algumas obras para enriquecer o leque poético dos nossos leitores, que, a partir de agora, sabem quem é o Waly.

*

Cresci sob um teto sossegado,

meu sonho era um pequenino sonho meu.

Na ciência dos cuidados fui criado.

 

Agora, entre meu ser e o ser alheio

a linha de fronteira se rompeu

*

                         Sargaço, de Waly Salomão, declamada por Maria Bethânia.

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