Música

O início da psicodelia para os Beatles

 

beatles-revolver

“Em 1963, quando os Beatles apareceram e eu ouvi as primeiras vezes, era como hoje a pessoa ouvir Justin Bieber. Não era mais do que isso.” A afirmação foi dada pelo aniversariante do dia, Caetano Veloso, lá em 2013. Na ocasião, um jornalista da Folha de São Paulo preparava uma matéria sobre o primeiro álbum dos Beatles, Please, Please Me, que completava 50 anos, e perguntou a ícones da música brasileira quais foram suas impressões quando o fab four surgiu. Depois de uma pausa do repórter,  Caetano justificou: “Achei bonitinho… Veja, eu gostava de Thelonius Monk.”

Como era de se esperar, o comentário gerou polêmica e causou revolta entre os beatlemaníacos. O que estes não levaram em consideração é que Caê falava dos Beatles meninos, que tocavam um rock bastante simples em pubs de Liverpool antes da fama. Na época, letras bobas como “eu sempre serei sincero, então por favor, me ame” (Love Me Do) e “você está tão bonita, você me deixa maluco” (Twist and Shout) foram parar na boca de adolescentes no mundo inteiro. Esses quatro garotos tinham pela frente um longo processo de amadurecimento musical e experimentações que os levariam a produzir os clássicos psicodélicos de Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club, com letras bem mais sofisticadas.

Mas se o aclamado Sgt Pepper’s existiu, foi porque dez meses antes do seu lançamento, Revolver – que completou 51 anos neste fim de semana – pavimentou o caminho. Antes do sétimo álbum, os Beatles já exploravam novas temáticas nos dois álbuns anteriores, Help! e Rubber Soul, ambos de 1965. No entanto, Revolver foi um verdadeiro divisor de água, e  a partir dali a banda entrava definitivamente na vida adulta. A colagem da capa, produzida pelo artista e amigo da banda, Klaus Voorman, mostrava claramente esse novo caminho.

É inútil entrar na discussão de qual é o melhor álbum dos Beatles porque nunca haverá um consenso. Para a Rolling Stone e boa parte dos fãs e críticos , é Sgt. Pepper’s, mas Revolver, Abbey Road e The White Album disputam arduamente o título nos calorosos debates em fóruns na internet e em rankings elaborados por especialistas.

Se você me perguntar qual álbum dos Beatles eu considero o melhor, eu diria que não sei, mas que Revolver é de longe meu favorito. E agora vou te mostrar o porque ele é meu queridinho e um álbum fundamental na carreira dos nossos meninos, através de três das faixas que eu mais gosto.

Eleanor Rigby

Essa é uma das minhas músicas favoritas dos Beatles e uma das que eu mais escutei enquanto adolescente. É a segunda canção do álbum, depois de Taxman, do George Harrison. Em Eleanor Rigby, Paul McCartney conta a história de uma menina que morreu e ninguém foi ao funeral. Na gravação, Paul é o único Beatle. Ele canta, toca violão e tem os vocais dobrados para fazer as segundas vozes. O resto foi gravado por um quarteto de cordas. Um fato curioso é que esta é a terceira canção mais regravada dos Beatles, atrás de Yesterday Something. Até o Caetano fez a sua própria versão. Qual você prefere?

 

 

I’m Only Sleeping

I’m Only Sleeping é a estreia de Lennon em Revolver e a primeira música dos Beatles associada ao uso de drogas. Foi a primeira faixa em que foram usados solos duplos de guitarra gravados e tocados de trás pra frente, uma técnica que seria reproduzida por muitas outras bandas.

 

Tomorrow Never Knows

Essa faixa trouxe efeitos e truques de estúdio inéditos até então. Após uma gravação feita em estúdio, Lennon levou a fita para casa e, quando começou a rebobiná-la, gostou do som. Ele então teve a ideia de gravar baixo, bateria e a voz em cima do som da fita rebobinando.

 

Essas músicas são apenas um aperitivo, mas o álbum todo é uma experiência. Em Love You To, George Harrison traz pela primeira vez elementos indianos que criam uma atmosfera inédita. Em Taxman, ele reclama sobre impostos de uma forma bastante divertida e irônica. Em “Here, There and Everywhere“, Paul nos mostra todo o seu romantismo numa das mais belas de suas canções. E ainda tem Yellow Submarine, uma das músicas mais famosas da banda, na voz de Ringo Starr. Revolver é icônico, ousado e singular. Pra quem já conhece, vale a pena ser ouvido novamente. Pra quem nunca escutou, vale mais ainda.

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