Cinema

A Caixa de Pandora e outros 1000 filmes

PANDORAS BOX, (aka DIE BUCHSE DER PANDORA, aka LULU), Louise Brooks, 1929

Neste ano inculquei uma ideia na minha cabeça: incumbi-me da tarefa de desbravar aquela lista dos 1001 filmes para ver antes de morrer. Com os amigos com quem converso sobre o assunto, brinco que é uma maldição, pois, uma vez que tive a ideia, não consigo dar meia volta e esquecê-la.

A tarefa não é o que podemos chamar de fácil. Alguns dos primeiros filmes dos 1001 são um pouco longos demais e tem uma linguagem ainda incipiente demais. Por serem desatualizados, alguns têm abordagem racista ou sexista. Ou são simplesmente enfadonhos, mesmo.

Por outro lado, descobri verdadeiras pérolas do cinema. Por meio da lista, entrei em contato com a obra de Buster Keaton – que, com Charlie Chaplin e Harold Lloyd formam a tríplice da comédia muda, marcada pelos personagens ingênuos e canhestros –, o movimento expressionista alemão, que se destaca em qualidade, entre outros. É um empreendimento que indico para quem se interessa em ver como o cinema foi se estruturando à progressão do tempo.

O último que assisti foi A Caixa de Pandora, filme alemão de 1929 que também se enquadra no movimento expressionista. Clássico absoluto que se firmou definitivamente através dos tempos pela apaixonante e incendiária atuação de Louise Brooks.

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             Louise Brooks, o olhar e o corte de cabelo marcantes

Como o próprio nome deixa evidente, é baseado no mito grego da caixa de Pandora. Eis o mote que guia o enredo:

“Os deuses gregos criaram uma mulher – Pandora. Ela era linda, encantadora e versada na arte da lisonja. Mas os deuses também lhe deram uma caixa contendo todos os males do mundo. A mulher negligente abriu a caixa, e todo o mal foi solto em cima de nós”.

O filme é precursor da centralidade da beleza e sensualidade femininas e o engendramento de símbolos sexuais, como depois ficou recorrente em filmes com Marylin Monroe, Brigitte Bardot, Rita Hayworth, etc.

Como essas divas que citei, a atriz Louise Brooks, que interpreta a protagonista Lulu, parece atrair para si toda a luz da cena. Por mais que ela esteja nas margens da tela, nossos olhos nos levam irresistivelmente até ela. A personagem faz o tipo que inspira paixões torrenciais e tragédia à sua simples passagem, com o seu olhar irresistível que é ao mesmo tempo de ingenuidade e lascívia.

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Bônus: o lindo cartaz do filme

O grande problema do filme é que, como o próprio mito grego anuncia, Pandora, representada por Lulu, seria a culpada por todas as desventuras da sua vida e dos personagens ao seu redor, quando ela é, na verdade, vítima das circunstâncias.

Não há dúvidas de que a atuação de Louise Brooks foi imprescindível para que o filme se alçasse ao status de clássico, mas o enredo ousado para sua época, carregado de tragédia e sexualidade, além da belíssima fotografia também fizeram o seu papel. Para os amantes da sétima arte, é um filme indispensável.

Ficha Técnica:
Título Original: Die Büchse der Pandora
Direção: Georg Wilhelm Pabst
País: Alemanha
Duração: 130 minutos
Elenco: Louise Brooks, Fritz Kortner, Francis Lederer

Para saber mais:

1 resposta »

  1. Amo este filme, adoro fotografia preto e branco. Este filme está na minha lista de preferidos junto com O Conformista – 1970, O Ano Passado em Marienbad – 1961, 8½ (1963), e outros filmes em preto e branco do grande Bergman. Parabéns pelo artigo.

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